No Silêncio das Selvas....

Na negra solidão deste degredo infindo,
Neste recanto agreste onde a malária impera
Numa angústia ferina e atroz que desespera,
A vida pouco a pouco se vai, além, sumindo.

Em meio da mata brava a Razão prolifera,
Medra se concretiza e, alegre, vai florindo.
O vergel do futuro, esperançoso e lindo
C'os frutos da Verdade acena a quem espera.

Bondoso, e revoltado, o coração ferido
Prosseguirei na luta heróico e destemido
Bradando altivamente: - Abaixo a tirania!

Além já a divisa o Sol da Redenção
Que um passo marcará na humana Evolução,
É o sol da liberdade, a sublime Anarquia!

Domingos Braz
"(Campo de Concentração do Oiapoque-Clevelândia, 1925). Reproduzido em A Plebe, São Paulo, 12-2-1927" Edgar Rodriges

A Hora

Eis a Hora, a grande hora da peleja,
Hora de sacrifícios e entusiasmo!
Pulsa meu coração, meu peito arqueja
No momento da ação replito e pasmo.

É a batalha final! Trovo, troveja,
Além-mar, o canhão; foi-se o marasmo
Da plebe una, e a revolta bemfazeja
Move espada e morrão, ódio e sacasmo.

Levantam-se os escravos contra os amos!
Há um clamor de vitória em toda a Terra...
Somos nós, anarquistas, que clamamos!

Nós que vamos sorrindo e subvertendo,
Arrastando os irmãos à Maior Guerra,
Num rebate de loucos, estupendo!

José Oiticica
Sonetos 2ª série (1911-1918) de 1919

Desgarrão

O operário não tem onde morar
Coitado! E faz de um quarto infecto, imundo,
Aperitivo, nojento, nauseabundo,
O seu divino e sacrossanto lar.

E ali, uma hora a rir, outra a chorar
Ele arrasta a existência, neste mundo,
Como um cachorro, inútil vagabundo,
À procura de um lixo pra fuçar.

É a multidão, esse poder eterno,
É esse alimento que o burguês consome
Dando-lhe, em paga, um torturante inferno.

Sempre esta coisa cômica e sem nome:
O povo mata a fome ao governo
E o governo reduz o povo à fome.

Carlos Bacelar
11/03/1933

Ao escritor

Curto é o período de um dia
Curto é o espaço de uma vida
Rápida como páginas lidas...
Que podem ser longas
Quando é algo que significa
Pois possui prolongamento
Para além daquele tempo
Em que você as ficou lendo
É algo que contagia

Ficam em processamento
Lhe estimulam o pensamento
Despertam sentimentos
Que geram movimentos

Apenas papel e tinta
Podem ser algo mais
Dependendo do conteúdo

Apenas a breve vida
Pode ser algo mais
Dependendo do conteúdo

Aurélio
Dormia a nossa Goiânia 
tão distraída 
sem perceber que era subtraída 
em tenebrosas transações!

Luiz & Jane



Em 2012 muita atenção!
Para não cair novamente na enrolação
De partidos que só visam a eleição
Enchendo o bolso com milhão
Enquanto miséria há de montão
Será que novamente vão te fazer de bobão?
Preste atenção!
Quem faz a história, é vc mermão!

(autoria desconhecida)

Dia Mesquinho

Muito embora magro, feio e desprezado
Segue firme, incompreendido e mal amado
Como um Judas ao esquecimento renegado.

Mendigando comida, abrigo e carinho
Revirando lixos em becos escuros, sozinho
Sobrevive a mais um dia tão mesquinho.

Quando dorme (se é que dorme) ele tem medo
É despertado a pontapés, e ainda parece cedo
Para esse imensurável, infame e vil degredo.

Levanta-se debaixo de palavrão e de esporro,
Sob aqueles andrajos um homem pede socorro,
Um homem, eu disse um homem e não cachorro!


Ricardo F. de Souza

Do tédio moderno

Pego-me constrito, macilento, arruinado,
Sentado no sofá, em frente à TV.

Tento sair. Mas para onde?
Meu trabalho é uma droga. Não quero nele estar.

Devo ir à igreja então?
De tanto que já rezei, hoje sou ateu.

Vou procurar um pouco de lazer...
São todos tão programados, que me dão sono.

Dizem que consumir no shopping center é revigorante...
Os produtos são de mim muito vazios.

Tento um futebol aos finais de semana com os amigos,
Uma cerveja no bar preferido.

Isto até que é bom...
O problema é tê-los em horários determinados por outros.

Hora de acordar, hora de dormir,
Hora de trabalhar, hora de divertir,
Hora de lazer, hora de rezar,
Hora de estudar, hora de amar.

Tudo é parte do jogo sem graça da maquina social.
Funciono dentro dela. Não a coloco sob meu jugo.
Obedeço-a. Não a controlo.
Estou nela, mas não a vivo.

A vida moderna
Só consegue produzir o tédio moderno,
A loucura moderna, a insensatez moderna.
Enfim, a vida de cada dia é a morte de todos os dias.


Lucas Maia

A União

Acordo todos os dias,
Na miséria
Busco uma alternativa de vida,
Mas sou barrado,
Pela fome e pela ira,
As pessoas se afastam,
Ficam com medo,
Me acham perigoso,
Nessa sociedade sou o significado de horroroso.

Vai trabalhar vagabundo,
São palavras pronunciadas constantemente aos meus ouvidos,
Não me dão emprego,
De pedinte a pedinte sobrevivo.

No meu redor,
Observo a riqueza,
Tento adquiri-las,
Mas constantemente sou acordado por um policial,
Me obrigando a deixar de sonhar,
Volto a pedir no sinal,
Volto a realidade.

Ei  me de um trocado,
Para eu comprar cola e me manter acordado.

Mas um sinal se abre,
Na minha mão
A difícil missão,
Matar a fome
Comprar um pão,
Ou enganar a realidade
Com um pouco de alucinação.
Dias em dias,
Passo sempre nessa indecisão.

Vejo fábricas funcionar,
Senhores de ternos em seus carros a chegar,
Pessoas uniformizadas a entrar.
Percebo há vários anos,
 Que os senhores de ternos,
São filhos e netos de outros senhores
Que também usavam ternos.
As pessoas uniformizadas são filhos dos mesmos uniformizados,
Que trabalhavam ali.
Percebo que se mantém a mesma lógica,
Desde quando estou na rua.
Os mesmos discursos de políticos
Que pronunciava a melhoria do povo
Se mantém agora com artifícios
Mais modernos.
Tento ler o jornal que usei para dormir,
Nenhuma novidade,
Somente a crua realidade,
Trabalhadores entram em greve,
Diz a reportagem,
Mais uma luta contra o explorador.
Certa vez ouvi de um trabalhador,
Nossa luta é gigantesca,
Estejamos preparados,
Ao me relembrar dessa frase,
Preparo-me para difícil missão,
Destruir o patrão.


Adriano José

Eleições


Festival republicano
Um tal “povo soberano"
E cores de autonomia
Escolher quem lhe dará o cano
Louvores à democracia !

Deusa da mitologia governista
De antigos gregos e romanos
Não se sabe se petistas ou tucanos
Mas clamaram “Terra à vista”            

Terra de muito gado
E errado é quem avisa
Que nem só de câmara e senado
Viverá quem nos inferniza

Eleição aberta minha gente !
Escolha seu candidato
Então virá mais um mandato
E a mesma merda de sempre

Uns mandam outros obedecem
Uns mamam outros padecem
Empanturrar de ilusões!
Vacas e bois humanos

“ Exercer a cidadania"
Um exercício que se limita
Em apertar botões...

A cada dois anos


Aurélio
de agosto 2012

Ao operário



Operário ignorante e maltrapilho,
escravo, ilota da moderna idade
que neste afã perdes a cor e o brilho
de olhar, fanado a flor da mocidade,

                    que vês de fome definhar teu filho
                    e de teu lar fugir a alacridade,
                    desperta finalmente e segue o trilho
                    da rebeldia e da felicidade!

Atenta na objeção em que caíste
a ardente voz dos teus irmãos escuta,
pensa na agrura de teu fado triste

                   e, sem achares forças que te domem,
                   quebra os grilhões, instrui-te e altivo luta
                   por seres livres - para seres “Homem”!


Sylvio Figueiredo
“A voz operária” Campinas, 13/01/1920

Imagem: Operário no garimpo de Serra Pelada foto de Sebastião Salgado 

Los Capitalistas

Son los cadetes de la Gascuña
Que a Carbón tienen por Capitán

Cyrano de Bergerac
Hulton Archive/Getty Images
(OS PIONEIROS
Capitalistas na Bolsa de Valores de Londres, em 1891.)
Son los feroces capitalistas
que un dólar llevan por corazón
Despiadados en sus conquistas
son los feroces capitalistas,
siempre teniendo quijadas listas
para pegarnos el mordiscón,
van los feroces capitalistas
que un dólar llevan en el corazón.

Son los hipócritas, son los felinos
que hacen a bombo la caridad
Muy obsequiosos y muy ladinos
son los hipócritas, son los felinos.
Si no se lanzan a los caminos,
es porque operan en la ciudad
esos hipócritas, esos felinos
que hacen a bombo la caridad.

Garras de tigre, dientes de lobo,
se dan por los labios que arrojan miel
¡Cuánto celebran lo honesto y probo,
garras de tigres, dientes de lobo!
No ven delito mayor que el robo
de los que viven gozando de él
Garras de tigres, dientes de lobo,
se dan por labios que arrojan miel.

Son los verdugos del proletario
los que exprimen sangre y sudor.
Siempre celosos del monetario,
son los verdugos del proletario.
Lucen por fuera lo humanitario,
mas dentro guardan odio y rencor.
Esos verdugos del proletario,
los que le exprimen sangre y sudor.

Dueños de casas, dueños de tierras,
dueños se harían de aire y de Sol.
Son, de los mares hasta las sierras,
Dueños de casas, dueños de tierras.
Siembras rencores, atizan guerras
y a un hombre matan por una col.
Dueños de casas, dueños de tierras,
Dueños se harían de aire y de Sol.

Son unos pocos, más atrevidos,
al mundo entero dictan la ley.
Esos tiranos, nunca vencidos,
son unos pocos, más atrevidos.
Van acatados, van aplaudidos,
viendo a sus plantas obispo y rey,
pues, aunque pocos, son atrevidos
y al mundo entero dictan la ley.

¡Fuera esos duros capitalistas
que un dólar llevan por corazón!
¡Surjan las almas nobles y altruistas!
¡Fuera esos duros capitalistas!
¡Campo a las justas grandes conquistas!
¡Campo a la santa revolución!
Contra esos duros capitalistas
que un dólar llevan por corazón.


Abril de 1907
Manuel González Prada

A nossa fogueira

Afim de festejar o nosso dia,
Pois o dia dos míseros não tarda,
Vamos fazer uma vermelha orgia
Para que o mundo das mentiras arda.

Fogo na lei parcial que nos mentia
E que se impunha a tiros de espingarda,
Fogo nos santarrões de sacristia,
Fogo na toga, no burel, na farda!

Fogo nos bairros proletários onde
A vergonha dos míseros se esconde;
Que o conforto pertence a quem trabalha.

A nova máquina social, do povo,
Precisa ser como um alfange novo
Que sai do coração de uma fornalha.


Cottin
(Afonso Schmidt)

Revolta Adolescente

Dizem que sou
um ser inferior
um menor...
de idade

me infantilizam
me subestimam
desprezam minha vontade

Eu sempre sou obrigado a escutar
Mas ninguém dá atenção
No que eu tenho a falar
Só querem submissão
Aceitar com um sorriso
tudo que vocês instituíram.

Falam de um mundo bonito
Enumeram qualidades
mas vou crescendo e descobrindo
a podridão da realidade
de tudo que me falaram
muito pouco é verdade

Porque vocês falam uma coisa
e fazem outra ?
Porque vocês exigem que eu faça
o que vocês mesmos não fazem ?

Estou cansado de toda essa hipocrisia
Querem que eu me adapte
ao mundo que vocês criaram
Mas o mundo que vocês criaram
é uma grande porcaria


Luiz Aurélio

Revolta Armada


Derrubar o patrão vil
O estado e a burguesia
Fazer jus à rebeldia
Vamos à guerra civil.

Trabalhadores oprimidos
Partamos para a ação
Pois só a revolução
Fará justiça aos sofridos.

Unidos num mesmo ideal
De justiça e solidariedade
Vamos buscar a liberdade
Na revolução social.

Queremos transformação
E o Anarquismo nos guia
Diante de um novo dia
Que viva a revolução!!!


Danton Medrado

Palavra da vontade
Com luta e expressão
Sem governantes
Estender a liberdade
Ausência de coerção
Sem o domínio da ordem estabelecida
consolidação dos ideais...

Dan

A multidão solitária

O mais triste paradoxo da vida moderna.

Vivo sozinho, encarcerado em meu castelo residencial.
As paredes são muito grossas, não consigo perfurá-las.
Tenho fobia do mundo, da vida, corro de possíveis balas.
Vivo na integralidade o supérfluo, o tédio existencial.

                              Corro de mim, mas encontro-me sozinho novamente,
                              Procuro por todos os lados, mas não vejo nada fundamental,
                              Somente um monte de pessoas em caráter acidental,
                              Nada mais que espectros com os quais vivo cotidianamente.

Nas ruas da cidade, as paredes são muito mais espessas!!
Trombo nos comércios com uma multidão de vermes,
Que deslizam lentamente, tais quais silenciosos paquidermes,
Que andam sozinhos, sisudos pelas estradas extensas.

                              No seio das cidades, onde todos se amontoam,
                              Vê-se uma multidão de espectros perdulários,
                              Sozinhos, isolados, angustiados e solitários,
                              Deslizam e pelo vulto silencioso escoam.

Este é o maior paradoxo da sociedade moderna,
No qual, juntos, os milhões são meros refratários,
Uma onda de mulheres, homens, juntos-solitários,
Espectros, zumbis, andantes da vida hodierna.


Lucas Maia

Sobrevivendo

Porque acordo todo desanimado?
Sem sentido para mais um dia,
O coração aperta, pouco brilho tem minha vida,
Sempre a mesma rotina,
Poucos momentos de esperança,
Poucos prazeres.
Essa decadência humana,
Que esse sistema nos impõe.
Dores que não são substituídas por alegrias
De mercadorias.
Compradas para te satisfazer
Como viver?
Essa pergunta inquietante
martela meus pensamentos,
A busca para o alívio está em remédios tranqüilizantes,
Que após seus efeitos
Volta às angustias constantes.
As rotinas mirabolantes
A medicação não cura,
Não sara não alivia,
As alegrias momentâneas,
todos os dias são substituídos
por trabalhos sem sentidos.
A rima volta a se perder,
Porque a vida deixa de ser interessante,
O poema deixa de existir,
Para mais uma bobagem persistir
A quem assistir
Patati Patatá
pela televisão
ou o professor Girafales falando Tatatá.
A quem agradar?
o sistema quer aumentar o controle sobre minha vida.
E mais um dia passar.
Sinto muito sistema,
Você não sobreviverá
o seu controle sobre aqueceu
A minha sobrevivência
Formou minha consciência,
Para lutar contra essa realidade
Em busca da liberdade.
voltar a sorrir,
poemas voltar a produzir,
a rima da alegria persistir,
principalmente no seu fim
cantaremos felizes,
no enterro de milhares de cadáveres,
todos burgueses.
O fim está próximo,
Corram, fujam, desapareçam
Porque o sorriso vencerá toda a tristeza que vocês nos impôs.
Cuidem-se...


Adriano José

Viagem ao estranho mundo academicista

(um poema longo e tosco para o ambiente mais tosco de todos)

O jovem no ambiente escolar
sonha no vestibular passar
universidade poder estudar
Mas os que conseguem até lá chegar
dentro dela estranho cenário irão encontrar
no centro um imponente altar
em cima dele a estátua dourada de um doutor
diante da qual devem se ajoelhar,
se humilhar
e recitar cânticos de louvor

Os professores sendo ou não doutores
vão guiando o ritual
Fazendo coreografias e danças esquisitas
exigindo que o aluno faça igual
Das bocas dos guias sempre palavras incompreensíveis
Então eles se elevam em plataformas de diferentes níveis
Os graduandos ficam no espaço inferior
para entrar naquele lugar mais perto do altar
só quem tem o nome na lista
Tem que ser no mínimo especialista
um andar mais elevado e privilegiado é para o mestre
o topo do olimpo é pro doutor

O ritual prosegue com ardor
mais lá embaixo um graduando parece insubmisso
então um professor fica irritado
se sacode e solta um grito
balançando seu chocalho lhe aponta seu cajado
e lhe ameaça com feitiços

Se a magia não adianta
um escravo traz a capanga
dentro dela várias armas
não vi chicote, pistola a laser, nem espadas
também não tinha lanças, flechas ou cordas
suas armas de ataque e tortura
eram chamadas, trabalhos, provas, notas

Tinha ainda por escudo e armadura
a sua titularidade
(que lhe dava repeitabilidade)
além de enquanto professor a autoridade
que o transforma em legislador, juiz e carrasco
dentro da sala de aula
ele assim bem equipado
suas armas ostentamente segura
o aluno é obrigado a suportar
o professor que nele as usa
ou então largar o curso como fuga

A situação parece até ilusão de tão maluca
mas infelizmente é realística
Alguns estudantes procuram resistir
tentam contrapor o arsenal do professor
utilizando a arma da crítica
mas a esses quase ninguém quer ouvir
pois contraria o que é tomado por senhor
o que a titulação diz que tem razão
independente do que dele vir
muitos veneram o professor
visto sobremodo inteligente
como um ser superior
que não é gente como a gente

Alguns acreditam mesmo nisso
Outros só o defendem por um puro oportunismo

Fora da sala o ritual prosegue seu estrago
fico ali olhando aquela droga de espetáculo
os docentes de corpos pintados
e de adereços enfeitados
agitam a cerimônia
exibindo suas máscaras

Tem do tipo medonha
tem das tão ridículas, engraçadas
tem de toda qualidade
e para todos os gostos
Eles as usam para mascarar a realidade
e também cobrir seus rostos

Normalmente quanto mais graduado
maior a elaboração possui seu artefato

Olhando vi que ali nada falta
Por mim passou uma doutoranda
com ornado capacete de astronauta
Um especialista falou que era quilombola
e batia em um tambor
Do outro lado um doutor lhe atirava molas
dizendo que era um robô


Tinha um que reprovava
os alunos que eram mais críticos
nas universidades se falava
que entidades envocava
e baixavam nele espíritos
Saí de uma palestra de doutores dinossauros
Entrei em outra sala para olhar uma conferência
Tinha ali um doutor que queria ampliar os dicionários
Inventava palavras onde não era necessário
Cunhava conceitos de um modo arbitrário
Era em sua obra a tentativa de virar uma referência
Era sua forma, de criar uma nova moda
para reproduzir a decadência

No outro dia me esforcei para chegar no horário
assisti a fala de um doutor que queria convencer
que uma coisa ao mesmo tempo poderia ser
totalmente outra ela mesma e o seu contrário

Com esse congresso fiquei decepcionado
na época era do primeiro ano
de lá pra cá a coisa foi piorando
e eu ficando mais inconformado

As vezes saía da sala
pois depois de cada fala
eu só ficava mais zureta

No auditório havia gente aglomerando
Lá na frente um certo mestrando
dizendo que era o capeta
Naquela hora contrastando
Uma luz no céu da academia apareceu
e por entre as nuvens um pós-doutor desceu
Diante de todos defendeu ser ele o próprio Deus
O mestrando foi por ele questionado
e o coitado estremeceu
Diante daquele iluminado
até sua própria luz se escureceu
Mas ocorreu o inesperado
E o mestrando a ele respondeu
no começo com cuidado
mas cada vez contrariado
no debate o respeito à divindade ele perdeu
Seus colegas essa postura reprovaram
Ao lado do Senhor eles ficaram
e no final o Pós-Doutor foi aplaudido pois venceu
Declarou superadas as idéias do Demônio
Então eu que sou ateu
Pensei estar em um manicômio

Podre academia!
Que assim já foi nascida
Pelos abutres foi mantida
De mais podridões foi expandida
Porque a mais fétida carniça
É a que atiça ao urubu

Naquele embate complicado
Entre o pós-doudor Jeová e o mestrando Belzebu
Os professores puxa-sacos
Apoiaram o que era em titulação mais elevado
Esse debate foi comentado durante muitos anos
Os dois se desentenderam sobre o sexo dos anjos
Mas um tempo depois o Belzebu fez uma autocrítica
E hoje ele e Jeová são do mesmo grupo de pesquisa

Sempre temi ficar doente
em meio a esse ambiente epidêmico
um dia fui falar com um certo acadêmico
algum conforto ou apoio procurando
comentei:

- Isso aqui tá tudo errado né!

Então constatei com espanto
que pelo seu corpo haviam pelos brancos
Ele me olhou e falou:

-Bééééééé !

Com aquilo fiquei bastente transtornado
No corredor ao lado passou um professor
Meu colega se abaixou
e começou a andar de quatro
Aquele professor ia andando
no trajeto seu rastro ia deixando
sempre cagando e caminhando
e agora aquele colega atrás acompanhando
em seus dejetos ia pastando

Descobri que ele era um orientando
e o da frente era um mestre
O mestre merda ia falando
nas quais o orientando rolava
e das quais se alimentava
ao mestre fazia preces
o agradecendo por suas sagradas fezes
dizia que de seus sonhos o que mais gosta
era um dia conseguir produzir uma bosta
tão sofisticada como os mestres
Fiquei a perguntar:
-O que é este lugar,
se não degradação ?

É a perpetuação da não solução
dos problemas da humanidade

A preocupação da academia
não é com a realidade
mas com a fantasia
Perigosa é a verdade
Para aquele que domina

Por isso a universidade
Na verdade passa em cima
oculta, fragmenta, camufla, falsifica
essa é a sua sina
é braço do mesmo Estado
que a dignidade do povo assassina

Nessa sociedade cada ocupação é mais odiável
E eu trabalho nesse espaço que detesto
Mesmo sendo tão ruim
ainda é pra mim mais suportável
Vou continuar só para deixar o meu protesto

(Luiz Aurélio)

Ser anarquista

Brasil - Greve Geral de 1917
Ser anarquista é ser forte,
É refletir a verdade;
É pensar na triste sorte
Desta pobre humanidade!

               É ser contra o banditismo
               Que se vê por todo mundo
               É querer o Comunismo
               Por ser humano e fecundo.

O anarquista ultrapujante
Quando fala às multidões,
Parece um astro gigante,
Da luz das constelações!

               Incita os povos escravos
               A lutar contra os senhores
               Criando exércitos de bravos
               Combatentes,vingadores.

Demonstra que a Humanidade
Tem de gozar sobre a Terra
Da maior felicidade
Que o raciocínio encerra!

                Se o burguês - monstro odioso -
                O condena à gilhotina,
                Por seu sangue generoso
                Se propaga a sã doutrina.

Ser anarquista, é ser grande
Não temendo o sacrifício,
É querer que ninguém mande
Pela força ou por suplício.

Aos crentes


Mortais, crede com fé, com viso de verdade.
Verdade de pureza heróica e irrefutável,
Que a crença que domina a tola humanidade
É uma crença imbecil corrupta e detestável.

                      Da solidão astral mos chega a luz vigente
                      A luz que nossa treva afugenta e ilumina,
                      E assim o amotinas vereis incontinente
                      Na crença virtual a que julgais divina.

Ao histrião e ao pulha e mesmo ao que domine
Símbolos dessa crença infame, e desse mal,
Daremos por lições a ler Kropotkine
E não devemos crer que nossa alma é imortal!

                      Gozemos com fervor o mundo, esse conjunto
                      De crenças, de ilusões, de prantos, de maldades;
                      Exploremos sem pejo a flor do tal assunto
                      Ao forte despertar arcano das verdades...

Funâmbulos, mastias, assim desta maneira
Irão provavelmente atrás sem freguesia:
Acabam-se os missais, a grande pagodeira.
E o baile religioso ecoando a vilania.

                      Hipócritas de "deus", palhaços infamantes,
                      Impudentes cristãos e falsos clericais,
                      Não mais conseguirão com capas farsantes
                      Vestir a humanidade em almas imortais!

Brademos com fervor, mas com fervor imenso,
Fervor que ao deus - natura alegrará por certo:
Como um sábio qualquer a revirar com senso
As folhas colossais de um grande livro aberto.


Adalberto Vianna

Contra o aumento da passagem


No transporte mais um aumento...
Eu me revolto, eu não aguento
O Povo tirar do seu sustento
Ter que tirar da sua família
Só pra enriquecer essa quadrilha
Quadrilha de engravatados
De homens do estado
De mega-empresários
E outros parasitas milionários

O transporte coletivo
É pro povo necessidade
Mais pra outros é oportunidade
De um enriquecimento extorsivo
Só mais um negócio lucrativo

E a má qualidade do serviço...
É problema do usuário
Que justiça há nisso?
A revolta é um ato necessário!

Chega de ser feito de otário
Hora do rebuliço
Consciência e ação
Pois só a nossa união
Pode esse mal enfrentar...

O pau vai quebrar !

Para o aumento diga não
Incite a população
E saiam em multidão
Vamos às ruas protestar

(Luiz Aurélio)

Circunstâncias



Há circunstâncias que se limitam
À mísera realidade adversa
Onde o homem tido como racional
Em seu raciocínio fraqueja
Deixando-se levar nau perdida
a duras penas, a sofregar,
Enredo trucidado pelo tempo
Substancialmente envolto
Num mero piscar de olhos.
Quisera eu poder mudar
fazer da vida, liberdade
Essa que em todo homem há
Porém escondido no ego
E pelo medo de ser útil.
Há circunstâncias que se limitam
A engendrar a inutilidade
Enaltecendo a propriedade
Negando prioridades
Reagindo à natureza humana
Dos que se doam, os ácratas,
Os velhos que se preocupam
Com os filhos que não são seus
Acusados de ateus
Mas acreditando em si mesmo.

Danton Medrado

Marionete Consciente

Eu não sei o que fazer
Não sei o que falar e o que pensar
Não sei o que comer
Nem do que reclamar

Para tudo preciso de um especialista!
Para saber o que comer
Preciso de um nutricionista
Estou ficando louco
Então preciso de um analista!

Se tenho problema amoroso
Procuro uma cartomante
Sem alguém para me dizer o que fazer
Eu me transformo num errante

Eu não sei o que fazer
Não sei o que falar e o que pensar
Não sei o que comer
Nem do que reclamar

Se um dia resolvo viajar
Um agente de turismo vou procurar
Se resolvo prestar vestibular
Um orientador vocacional vou consultar

Alguém sempre sabe o que devo fazer
Uma mão invisível me controla
Sou uma marionete na escola
Agora é possível perceber

Agora sei o que fazer
Sei o que falar e o que pensar
Decido o que comer
Não preciso reclamar e sim lutar

Uma marionete consciente é diferente
Chega o momento do rompimento
Chega de ser tratado como excremento
Chega de sofrer e ver sofrer indiferente

Agora sei o que fazer
Sei o que falar e o que pensar
Decido o que comer
Não preciso reclamar e sim lutar


Composição: Edmilson Marques
                       e Nildo Viana

Pós Modernidade (sem sentido)

O sistema nos divide
o meu pensamento sobrevive
me dizem que isso é pós modernidade
não entendo a sua necessidade
ainda permaneço sem liberdade.

Nesse labirinto ideológico
sem sentido
a práxis torna-se a unica verdade.

Adriano José

http://poesiaspoemaseartelibertaria.blogspot.com.br/2011/03/pos-modernidade-sem-sentido.html

A verdadeira revolução



Vejo essa sociedade e a podridão que simboliza
Vejo o grupo de sonhadores que com ela rivaliza

Vejo e sinto o peso da ordem que escraviza
Me uno ao sonhadores, me faço um anarquista
na batalha me lanço, como lutador propagandista
pois sei que a vitória só com o povo se conquista

Ao povo trabalhador deixo este refrão:
Se desejam a verdadeira revolução
rechacem ao líder fanfarrão.
A chave da emancipação
não a procurem em chefes ou governos
Basta a vocês olhar direito
não para cima mas para o próprio peito
e aí a encontrarão

Logo se vê a diferença que têm
entre os libertários e os rebeldes bolchevistas
que querem a revolução como um trem
que promete chegar a terra prometida
seguindo os trilhos da estatal burocracia
conduzido por seu líder, -o maquinista-
onde o povo não é protagonista,
mas simples refém
a olhar pela janela do vagão
com desdém
desilusão
se sentindo usado como bucha-de-canhão
ao ver sua bela revolução
se degenerar em uma nova tirania.

Não meus irmãos !
Não se percam na cruel ilusão
de um governo novo que fará transformação
Estado significa opressão, ditadura, hierarquia,
essa é sua trilha nunca irá por outra via
E aí reside o valor da anarquia
que a todo poder proclama antipatia
em nome da autogestão

O segredo para nosso sucesso
que leva ao mundo novo de harmonia e união
reside que o povo tome todo o processo
em suas próprias mãos

Que no campo ou na fábrica
não haja proprietário nem patrão
para que o povo que trabalha
seja senhor da produção
junto com mais camaradas
faça o transporte e distribuição
e outros que prestando serviços diversos
dêem sua contribuição
seja na área da saúde ou da beleza
limpeza urbana ou construção
Que tudo seja para todos e não de alguns um luxo
onde a produção não sirva ao comércio e lucro
mas sim para atender as necessidades da população.

Por isso o trabalho não será mais excessivo,
estressante, degradante e cansativo.
Será um meio de alegria e satisfação.
e em todo tempo livre que terão
o povo livre poderá se dedicar
às ciências, artes e diversão.

Assim, no lugar do estado e governo acabados
deve figurar o povo livre associado
organizando sua auto-administração.

No lugar da polícia e exército derrotados
deve figurar o povo armado
fazendo sua auto-proteção.
Um vez efetivada essa verdadeira revolução
logo virá sua alastração
pelos povos mundo afora
daí em diante a divisão do planeta
em países e territórios, não mais vigora
se abolirá toda fronteira
é o fim da divisão
a raça humana comporá uma só nação
que caminhará livre por sobre a terra

Nessa altura de evolução
já não haverá mais razão
para o estoque de armas de guerra
Com todos os opressores derrotados
e o povo todo libertado
elas servirão somente aos museus
como velhos artefatos
para serem observados

E se algum desentendimento surgir
Logo irá se descobrir
uma boa solução
com tranqüilidade, diálogo e conversação

No Mundo Livre as novas gerações
levantarão muitas questões
quando a curiosidade os levar
a estudar o passado.

Olhando o presente em que vivemos
e outras épocas de opressão
Se perguntarão a respeito daqueles coitados
que aceitaram viver por tanto tempo
de modo tão desgraçado
sem depressa terem se rebelado.

(Luiz Aurélio)

Raciocinando


Tudo é mentira! 'Deus, Moral e Humanidade!
Mentira o céu, mentira a fé, mentira o amor!
Só se vive do mal, da dor, da iniquidade,
E todo este progresso é morte e despudor!

Há sempre covardia, infâmia, atrocidade,
Canalhas no prazer, canalhas numa dor,
Fingidos a chorar imploram caridade,
E falsa proteção que imita o benfeitor!

É crime cobiçar os frutos do trabalho,
pedir junto ao burguês aumento de ordenado,
Alguém que esteja nu não peça um agasalho...

E pobre mortal que queira a Liberdade...
Pois não se vai bolir no cancro alicerçado
Que se convencionou chamar de Propriedade!


Adalberto Vianna

(Publicado em "A Plebe", São Paulo, 23/07/1927)

Aos manifestantes


(poema distribuído no dia 21 de abril de 2012 na Marcha Contra a Corrupção / Fora Marconi em Goiânia)

Marcha contra a corrupção
O povo mostra sua indignação
Em meio a manifestação
Sentimos a forte emoção
De lutar junto à população

É momento também de reflexão
Para pensar nossa situação
E fortalecer uma idéia de transformação

Precisamos ampliar nossa visão
Para conseguir ver a corrupção
Não de um ponto de vista supercifial
Mas em seu caráter social

Aí entendemos e percebemos
Que o corrupto não é o camelô
Mas sim os da corja do senhor governador

Políticos são para o povo um fardo
Não se trata do indivíduo mas do cargo
Tenhamos nós todos a consciência
Que todo poder é corrupto por excelência

Enquanto houver capitalismo
A humanidade estará à beira do abismo

Que mais protestos esse povo anime
Que esse sistema é a corrupção e o crime
Organizados
Sistematizados
Institucionalizados
E tornados em estado normal de sociedade
Deprimente realidade

Revelamos que nossa intenção
Depois de analizar esse tema
É não esperar do governo a solução
Pois o mesmo faz parte do problema

Que essa luta proporção maior tome
Para além do Fora Marconi
E sejamos então mais críticos
Para gritar Fora Todos os Políticos!

Pelo fim a sociedade corrupta
Só uma transformação radical
Essa deve ser a nossa luta
Pela Autogestão Social!


(Luiz Aurélio)

O Jardineiro e o Gramado


O Estado é um jardineiro que cuida de um imenso gramado chamado povo.
Quanto mais aparado e uniforme for esse gramado, melhor é para o jardineiro pisar.
Tudo o que o jardineiro quer é um gramado para andar sem tropeços, onde não
haja sobressaltos.
Não seja mais grama, se liberte!
Seja um arbusto, um obstáculo.
Seja uma flor na simplicidade.
Seja uma arvore e se imponha ao ambiente.
Cresça amigo! Se desenvolva! Seja diferente!
Seja você!


Edson "Boina" Gonçalves

Inexorabilidade


Sempre nos quiseram convencer de nossa incapacidade.
Sempre nos fizeram crer de nossa ignorância.
Sempre nos falam de nossa fraqueza.

Nos julgam desorganizados, lactentes, mendicantes.
Mas há um erro congênito em tudo isto...

Do calo da mão miserável,
Do tormento da mente dolorida,
Da massa amorfa e aflita
Existe a virtualidade do futuro: a possibilidade.
Pois, o novo nunca deixa de nascer, a semente sempre há de germinar, o broto tende
inexoravelmente a crescer, o botão realiza-se na bela flor.

Por mais que a noite escureça temporariamente o horizonte,
O sol teima em sempre e sempre de novo nascer.


Lucas Maia

Homenagem à revolta de Viseu


No ano de 2008,
mês de agosto
em Viseu no Pará,
Se levantou dali o povo,
uma revolta a cintilar!

O que ali aconteceu?
Espere aí amigo meu,
essa história vou contar.

Foi abordado por policiais um rapaz
Depois disso ele não foi visto mais
Seu boné ensangüentado ali perto denuncia
Que esse jovem foi morto pela polícia
Sua família chora com a notícia

Fervilham ódio e dor contra essa injustiça
O povo pelas ruas se atiça

Vão cobrar do municipal judiciário
Mas o fórum não se importa com o vil assassinato
Diz que nada pode fazer nesse caso

É o estopim que bota o povo rebelado
Que decide fazer justiça, que regaço!
Já que o forum ao pobre não tem serventia
Botá-lo abaixo sentiu que deveria
Logo começou o estardalhaço
Ali dentro quebraram tudo que encontraram
E o prédio depois incendiaram
Para o juiz e promotor haviam guardado um fósforo
Mas os dois amendrontados já fugiram de helicóptero

O povo sublevado seguiu pra delegacia
Eles eram muitos, fugiu de lá toda a polícia
Viram dentro das celas que só pobre ali havia
Abriram aquelas portas, aos prisioneiros alforria!
Pouco depois em chamas toda a delegacia arderia

Revoltados em Viseu, bagaçeira, quem diria!
Mas isso ainda é pouco,
sempre digo a todo povo:
- Sua força é infinita!

Reacionários qualificaram a ação de criminosa
Mais aos revolucionários foi ela grandiosa

Homenageio a cada um daqueles bravos
Que naquele dia arregaçaram os braços
À família e amigos do jovem assassinado
deixo meu sincero lamento
Seguirei combatendo esse mundo de tormento
Pois quero ver ainda o dia,
que acabará essa injustiça

Será do povo uma conquista,
a velha ordem derrubar
E construir com sua revolução,
um mundo livre da iniquidade,
sem patrão nem propriedade
sem Estado se organizar a sociedade
É a vitória Autogestão!
É a verdadeira libertação!
Para isso também lutar,
falo a toda população.


Luiz Aurélio

Primeiro do Maio

Qual imenso vulcão em rubra efervescência,
Sinto ter o meu peito em ódio fremitoso,
- Ora manifestando em viva incandescência,
ora em fermentações de lance vaporoso.

E o peso brutal dessa rude existência,
no contínuo lutar da vida sem repouso,
correm-me pelo sangue indômito e raivoso
anseios de abrasar-me à luz da independência...

E como aquela plêiade e temerária raça
com rara impavidez clamara a tirania
do burgo prepotente em tempos que lá vão,

tu, ó Maio de luz e dor que agora passa,
dá-me forças também, para com ardentia,
proclamar do Porvir o sol da Redenção


Pedro A. Mota


Pós-trip

Entorpece a passageira euforia
Permanece a sujeira do dia-a-dia
Sujo por toda essa porcaria
Que nos foi imposta de cima
E que quero ver destruída.

Luiz Aurélio

Idéias da realidade

O operário não se reconhece na sua ação de trabalho por que o seu fim não lhe pertence,
 o produto é estranho ao seu produtor,
esse pertence ao capitalista e não ao trabalhador.

Esse modo de vida é recente,
 Prende o ser e libera o ter,
mas não é a única possibilidade existente.

Apesar de afirmarem que é natural
O homem dominar outro homem,
para o explorado isso não têm nada de normal.

As rádios, jornais e TVs transfiguram informações,
Produzindo ideologias feitas pelos nossos patrões.
Cria a ideologia da naturalização da exploração,

A nossa existência resumi a isso,
A liberdade está no que possui.
Essa é a sociedade capitalista,
Viva o consumista,
Que supri suas vaidades,
No lugar da liberdade.

Buscar as necessidades,
Não faz parte dessa sociedade,
A quantidade fala mais do que a qualidade.

Por isso escrevo,
Com desprezo
 do que vejo.
Não ser um fingidor,
da minha dor.

O único modo de mudar,
É lutar,
Com todos os trabalhadores participar,
 a luta radicalizar
E a transformação realizar.

A autogestão produzir,
E a vida voltar a surgir.


Autor: Adriano José Faria Borges.

 somente é permitido sua auto reprodução na luta contra o patrão.

O Analfabeto Marxista



O mais convecido dos analfabetos
é o analfabeto marxista
ele pensa que é socialista
mas na pratica não é

Ele acha que por meio de organizações burocráticas
como o partido político e o sindicato
da luta no parlamento e pela conquista do poder estatal
chegará ao socialismo

O analfabeto marxista
é tão burro
e estufa o peito dizendo
que é a vanguarda do proletariado

Não sabe o imbecil que
da má leitura sobre Marx
nasceu a teoria da vanguarda
e o pior de todos, o falso socialista
que é o burocrata opressor
que luta para conquistar o poder
para implantar o capitalismo de estado. 



Jayro de Sousa 

 http://spjayrosousadf.blogspot.com/

Vivamos a liberdade
Esmaguemos as fronteiras, estado, classes e burocracia
Uma vida de verdade
Realiza-se na anarquia

Rubens Vinícius - 02/12/2011

Poema anarquista

Vida cheia de poesia
Sem pátria
Vida em nova sintonia
Sem amo
Vida em constante euforia
Sem patrão.