Nessa Copa do Mundo no Brasil
Toda farra é feita pela FIFA
Onde o povo caído se espatifa
Na jogada perversa e pueril
Com seu pobre espírito mercantil
Abocanha o dinheiro do país
Deixa um mar de uma gente infeliz
Com moradas tombadas, demolidas
Triturando e marcando muitas vidas
Tem deixado o ricaço tão feliz.
Essa Copa ela muito tem servido
Pra esconder as mazelas sociais
Numa clara atitude de venais
O direito do povo é engolido
Num país em que povo tem sofrido
O Governo, a FIFA e empresários
Nesse trio de grandes ordinários
Seu legado da copa no Brasil
É a fome e a miséria que a mil
Tem seu time de craques salafrários.
O governo que é perna de pau
Que mergulha o país numa miséria
Diz: a Copa das Copas é coisa séria
Pilotando errada a nossa nau
Transformando o Brasil nesse mingau
Onde a fome é a seleção do mundo
E o troféu é erguido num segundo
Coroando o descaso governante
Dessa ação que é vil e degradante
Nesse jogo perverso e tão imundo.
Mas o campo do povo é a rua
Nesse jogo daremos goleada
A bandeira da luta levantada
Contra o roubo e toda falcatrua
Revelando a nação que vive nua
De saúde, de ensino e moradia
De não ter nem o pão de cada dia
E é por isso que a luta vai rolar
Terá gol e a massa vai ganhar
Do governo, da FIFA e a tirania.
Nando Poeta
Poema de um trabalhador sobre a sua interpretação de Vanguarda
Vocês disseram que me ajudaria,
Que eu não entendia,
A minha exploração.
Disseram que era preciso estudo,
Para obter a compreensão.
Por isso deveríamos seguir a sua revolução.
Entretanto, a realidade
Me mostrou a verdade.
Mudou somente o patrão,
O discurso foi em vão,
Manteve-se a reprodução
Da exploração.
Adriano José
Que eu não entendia,
A minha exploração.
Disseram que era preciso estudo,
Para obter a compreensão.
Por isso deveríamos seguir a sua revolução.
Entretanto, a realidade
Me mostrou a verdade.
Mudou somente o patrão,
O discurso foi em vão,
Manteve-se a reprodução
Da exploração.
Adriano José
No mundo há muitas armadilhas
No mundo há muitas armadilhas
e o que é armadilha pode ser refúgio
e o que é refúgio pode ser armadilha
Tua janela por exemplo
aberta para o céu
e uma estrela a te dizer que o homem é nada
ou a manhã espumando na praia
a bater antes de Cabral, antes de Tróia
(há quatro séculos Tomás Bequimão
tomou a cidade, criou uma milícia popular
e depois foi traído, preso, enforcado)
No mundo há muitas armadilhas
e muitas bocas a te dizer
que a vida é pouca
que a vida é louca
E por que não a Bomba? te perguntam.
Por que não a Bomba para acabar com tudo, já
que a vida é louca?
Contudo, olhas o teu filho, o bichinho
que não sabe
que afoito se entranha à vida e quer
a vida
e busca o sol, a bola, fascinado vê
o avião e indaga e indaga
A vida é pouca
a vida é louca
mas não há senão ela.
E não te mataste, essa é a verdade.
Estás preso à vida como numa jaula.
Estamos todos presos
nesta jaula que Gagárin foi o primeiro a ver
de fora e nos dizer: é azul.
E já o sabíamos, tanto
que não te mataste e não vais
te matar
e agüentarás até o fim.
O certo é que nesta jaula há os que têm
e os que não têm
há os que têm tanto que sozinhos poderiam
alimentar a cidade
e os que não têm nem para o almoço de hoje
A estrela mente
o mar sofisma. De fato,
o homem está preso à vida e precisa viver
o homem tem fome
e precisa comer
o homem tem filhos
e precisa criá-los
Há muitas armadilhas no mundo e é preciso quebrá-las.
Ferreira Gullar
e o que é refúgio pode ser armadilha
Tua janela por exemplo
aberta para o céu
e uma estrela a te dizer que o homem é nada
ou a manhã espumando na praia
a bater antes de Cabral, antes de Tróia
(há quatro séculos Tomás Bequimão
tomou a cidade, criou uma milícia popular
e depois foi traído, preso, enforcado)
No mundo há muitas armadilhas
e muitas bocas a te dizer
que a vida é pouca
que a vida é louca
E por que não a Bomba? te perguntam.
Por que não a Bomba para acabar com tudo, já
que a vida é louca?
Contudo, olhas o teu filho, o bichinho
que não sabe
que afoito se entranha à vida e quer
a vida
e busca o sol, a bola, fascinado vê
o avião e indaga e indaga
A vida é pouca
a vida é louca
mas não há senão ela.
E não te mataste, essa é a verdade.
Estás preso à vida como numa jaula.
Estamos todos presos
nesta jaula que Gagárin foi o primeiro a ver
de fora e nos dizer: é azul.
E já o sabíamos, tanto
que não te mataste e não vais
te matar
e agüentarás até o fim.
O certo é que nesta jaula há os que têm
e os que não têm
há os que têm tanto que sozinhos poderiam
alimentar a cidade
e os que não têm nem para o almoço de hoje
A estrela mente
o mar sofisma. De fato,
o homem está preso à vida e precisa viver
o homem tem fome
e precisa comer
o homem tem filhos
e precisa criá-los
Há muitas armadilhas no mundo e é preciso quebrá-las.
Ferreira Gullar
Trabalho calvário
Antes mesmo do sol raiar
Já acordados pra ralar
Quem a duras penas consegue viver
Que trabalha tanto e continua a sofrer
Para que outros possam enriquecer
E desfrutem do luxo e do prazer
Aqueles mesmos que você
Proporciona mas não pode ter
Diante disso podemos escolher
Ou simplesmente aceitar...
e emudecer...
Ou ousar pensar...
E lutar...
Para que as coisas diferentes possam ser
Aurélio
2 de novembro
Já acordados pra ralar
Quem a duras penas consegue viver
Que trabalha tanto e continua a sofrer
Para que outros possam enriquecer
E desfrutem do luxo e do prazer
Aqueles mesmos que você
Proporciona mas não pode ter
Diante disso podemos escolher
Ou simplesmente aceitar...
e emudecer...
Ou ousar pensar...
E lutar...
Para que as coisas diferentes possam ser
Aurélio
2 de novembro
2011
Da incapacidade de amor
A todos os amantes que insistem em ser felizes
Uma nuvem tênue que não alcança as pessoas reais.
De nada vale um amor destes para sermos felizes.
Também não basta o que oferecem as meretrizes.
Mas o problema verdadeiro não reside na alma individual,
É uma força muito mais ampla, é uma relação social.
Foi uma vez expressa naquela máxima hobbesiana.
Mas se o homem é o lobo do próprio homem,
Quem é o lobo do lobo do homem?
Se venceu a mentira darwinista da seleção natural,
Retornou o homem a ser novamente só animal?
Se venceu Freud e toda a sua fantasia do Édipo,
Deixou o homem de ser real, para ser mero arquétipo?
Pois, se se revigora da competição o capitalismo,
O amor torna-se para ele mais um fetiche de consumismo.
Sendo do homem o amor uma grande potencialidade,
Converte-se nos dias de hoje em bem da publicidade.
Ehhh!!! Só haverá nesta vida amor verdadeiro
Quando o homem decidir mudar o mundo inteiro.
Melhor dizendo, só haverá finalmente amor de verdade
Quando a classe operária construir uma nova sociedade.
Lucas Maia
Dia após dia
É forte muito forte
Mais forte que você possa imaginar
A nossa vontade de lutar
É livre, muito livre
O nosso desejo de amar
É triste, muito triste
O mundo do jeito que está
Que dia após dia está a se perder
Em vez de se encontrar
É revoltante muito revoltante
Saber que as pessoas aceitam
Ser manipuladas a todo instante.
Sonho de acordar em um novo dia
Onde eu possa viver em anarquia
É lindo, muito lindo
O seu sorriso, diante
Os destroços desse sistema falido.
(Gilcélio)
http://vomitossubversivos.wordpress.com/
Hino Primeiro de Maio
Vem, ó Maio, saudam-te os povos,
em ti colhem viril confiança;
Vem trazer-nos cerulea bonança,
Vem, ó Maio, trazer-nos dias novos!
Vibre o hino de esperanças aladas
ao grão verde que o futuro matura,
à campina aonde a messe futura
já flori sobre as negras queimadas!
Dezertai, ó falange de escravos,
da lavoura, da negra oficina;
um momento de tregua à fachina,
ó abelhas roubadas aos favos!
Lavantemos as mãos doloridas,
e formemos um feixe fecundo;
nós queremos reunir este mundo
dos senhores da terra e das vidas.
Sofrimentos, ideais, juventude,
primaveras de turbina arcano,
verde Maio do jenero humano,
daí corajem aos animos rudes!
Enflorai ao rebelde caido,
com os olhos fitando o nascente,
ao obreiro que luta fremente,
ao poeta, jentil, esvaido.
Jornal A Voz do Trabalhador - 1914
*optamos por manter a grafia original
em ti colhem viril confiança;
Vem trazer-nos cerulea bonança,
Vem, ó Maio, trazer-nos dias novos!
Vibre o hino de esperanças aladas
ao grão verde que o futuro matura,
à campina aonde a messe futura
já flori sobre as negras queimadas!
Dezertai, ó falange de escravos,
da lavoura, da negra oficina;
um momento de tregua à fachina,
ó abelhas roubadas aos favos!
Lavantemos as mãos doloridas,
e formemos um feixe fecundo;
nós queremos reunir este mundo
dos senhores da terra e das vidas.
Sofrimentos, ideais, juventude,
primaveras de turbina arcano,
verde Maio do jenero humano,
daí corajem aos animos rudes!
Enflorai ao rebelde caido,
com os olhos fitando o nascente,
ao obreiro que luta fremente,
ao poeta, jentil, esvaido.
Jornal A Voz do Trabalhador - 1914
*optamos por manter a grafia original
Arte e ciência
Artistas e pensadores?
Mercenários e traidores!
Se pondo à serviço do poder
Serviçais dos dominadores
Cúmplices e colaboradores
De tudo que traz o aniquilamento
da livre arte e pensamento
arte, ciência?
Engano, elitismo...
assim colocados
que pena.
Talvez o dia venha
Dias de um mundo novo
E recebam vida do povo...
Então a arte e a ciência
deixarão de ser um problema
Luiz Aurélio
Mercenários e traidores!
Se pondo à serviço do poder
Serviçais dos dominadores
Cúmplices e colaboradores
De tudo que traz o aniquilamento
da livre arte e pensamento
arte, ciência?
Engano, elitismo...
assim colocados
que pena.
Talvez o dia venha
Dias de um mundo novo
E recebam vida do povo...
Então a arte e a ciência
deixarão de ser um problema
Luiz Aurélio
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| Neno Vasco |
O velho burgo tomba enfim...
Oh! Quanto abutre cai e morre!
Oh! Quanto abutre em seu festim!
De face a ardear, que a chama cresta!
Ó párias nus, vindes dançar,
Dançar em roda, correr, cantar
Que esta fogueira é vossa festa!
A chama a crepitar!
Em círculo formai!
Dançai!
Dançai!
De archote aceso, o mundo iluminai!
Neno Vasco
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