Anarquia!

Não me conformo com o que toda-a-gente,
Essa miséria e informe carneirada,
Opina e diz, sanciona, pensa e sente.
Rebelo-me. Protesto. Faço assuada.

Aos deus não me curvo. Sou de descrente.
Juízes, Soldadesca, padralhada,
Ministros, deputados, presidente...
Eu odeio de morte esta cambada !

Ferve em meu peito uma revolta santa
Contra toda a feição de sacripanta.
Detesto sobretudo a ipocrisia.

E só descançarei da minha lida
Quando o último burguês deixar a vida...
-Como me chamo?- Eu Chamo-me Anarquia!

Antonio Pedro
28/02/1920

Alvorada

Quando chegará o dia
Do povo se libertar
Do seu velho mal-estar,
Num ato de rebeldia?

Será quando compreender
Seus verdadeiros direitos,
E então triunfar fazer
O mais belo dos seus feitos!...

Sem amos e sem senhores,
Na sociedade de iguais,
Sendo todos produtores,
Deixará de haver rivais.

Mundo de amor e harmonia,
Onde não haja rancor,
Mas o grandioso fulgor
Da luminosa Anarquia!


Antonio Abranches
02/09/1916

Saudações Proletários

Saudações Proletários,
chegou o grande dia;
deixemos os antros da exploração,
não ser mais escravos da burguesia,
tomemos os meios de produção!

De cada um segundo as suas capacidades,
a cada um segundo as suas necessidades.

A sociedade organizada em Autogestão,
isso é que é Revolução!

A Liberdade como maior anseio
Coerência entre os fins e os meios

O Povo livre associado,
a destruição do estado,
a extinção dos tiranos!

Conhecerão vida os seres humanos,
que só vegetaram ao longo dos anos...

Oh, Proletário!
Está tudo em suas mãos...
Não te chamamos à revolta por caridade.
É porque a sua auto-emancipação,
é também condição de libertação,
para toda a humanidade!


Aurélio
Sem opressores..
Um sistema mais limpo,
Para um povo mais digno!
Queremos a Revolução!

A liberdade grita lá fora,
e aumentamos o volume da tv.

Bianca Martinelli

O Querer é Imortal

O que perscruta o pensamento
Na hora que a lucidez titubeia?
Existe fome, muito armamento
Na ilusão da guerra que desencadeia.

No louco afã dos ditadores
Amargo amores, ergue-se masmorras
Se o poder aniquila os libertadores
Eu te maldigo ó poder, morras!

E pelo sangue que derramastes
Eu sei dirão, não foram poucos
Apesar de pregarem: não mates,
Agem como assassinos loucos.

O que fazer de nossas crianças
Dos anciãos e de nossas mulheres?
A guerra tirou-nos as esperanças
De sonhar com a paz de dias melhores

Eu digo morras poder maldito
Com os seus exércitos de algozes
E eu vivo pelo que acredito
Acabar com o querer, tu não podes.

Danton Medrado

Dores Íntimas

Esta angústia que me atormenta e fere
Estoura-me a cabeça há pelo menos 30 anos.

Já tomei muitas centenas de analgésicos,
Nada, entretanto, alivia-me a dor.

Bebo regularmente doses excessivas de álcool,
O alívio é, deveras, muito passageiro.

Estupefacientes nunca me satisfizeram.
Até religião já cheguei a consumir.

A dor, todavia, é deveras muito intensa.
Este mundo é muito pequeno para mim.

Não me refiro, naturalmente, à sua extensão geográfica.
O espaço é grande, a vida é que é pequena.

As paredes da vida moderna apertam-me o cérebro.
Vivo uma claustrofobia noturna.

Diante de meus olhos, só a pequenez do cotidiano.
Ao meu lado, pessoas que se desmancham em vermes.

Ouvi dizer que existe um mundo de alegria,
Duvido sinceramente disto. Nunca ri de verdade.

Como se pode rir? Tudo é tão falso, tudo é tão ilusório.
Também não posso chorar, pois só fui educado a sofrer.

Isto é que é o "natural".
Cada um com sua dor, sua angústia, sua miséria existencial.

Para mim tudo é demasiado vazio,
ou elimino as causas de minhas dores, ou elimino-me junto com elas!!!


Lucas Maia

Anacionalista

Pensando mais a fundo...
Nem fronteiras, nem nações!
Fronteiras são prisões,
Somos cidadãos do mundo.

Aurélio

O Cavador

Cavador - Van Gogh
Cava, cava, ó cavador
a terra que não é tua !
Enriquece o teu senhor,
revestindo a terra nua
de sementeira sem flor.

Todo o sangue que hás perdido,
Sangue rubro como a aurora,
Vira nelas resurjido...

Quem sabe se, a esta hora,
havera na tua casa
um pão na arca e a uma brasa
na lareira triste e fria ?

Mas que importa uma agonia,
uma lágrima, uma dor,
de gente faminta e nua ?

Cava, cava, cavador,
a terra que não é tua !


Luiz Cebola

La Cancion de los Parias

Somos los pobres, los harapientos,
Los que tenemos que trabajar,
Bajas las frentes, mudas las bocas,
Eternamente sin descansar.
Envilecidos y maltratados
y sin derechos para implorar;
siempre sufrimos nuestras pobrezas,
Siempre aplacamos nuestro llorar.

Todos los ricos ven nuestras penas,
Todos contemplan sin compasión
Nuestros dolores, nuestras desgracias,
Sin que se ablande su corazón.
Ya no debemos sufrir más tiempo
Ni los rigores ni la opresión;
Todos activos lanzar debemos
Gritos viriles de rebelión.

Y en otros días que contemplemos
El triunfo justo de nuestro plan,
No aguantaremos esclavitudes
Ni sostendremos al holgazán
Todos seremos libres y hermanos,
Todos tendremos el mismo afán,
En constituirnos fuertes e iguales,
Sin fraile, rico ni capitán.


Manoel González Prada 1909

Imagem: Operários de minas de carvão do início do século XX, EUA- http://progressiveeradotcom.wordpress.com/category/labor-coal-mining/mother-jones/childrens-march/

Cidadãos “respeitáveis”

O burguês e o político são venerados
até mesmo por alguns
que são por esses explorados.

Privilégios e poder ao paspalho!
E todo esforço nessa vida será falho

Os que com seu trabalho
geram toda riqueza
colherão penúria, pobreza
e de brinde mais opressão de sobremesa.


Aurélio
13 de Junho 2012