O que perscruta o pensamento
Na hora que a lucidez titubeia?
Existe fome, muito armamento
Na ilusão da guerra que desencadeia.
No louco afã dos ditadores
Amargo amores, ergue-se masmorras
Se o poder aniquila os libertadores
Eu te maldigo ó poder, morras!
E pelo sangue que derramastes
Eu sei dirão, não foram poucos
Apesar de pregarem: não mates,
Agem como assassinos loucos.
O que fazer de nossas crianças
Dos anciãos e de nossas mulheres?
A guerra tirou-nos as esperanças
De sonhar com a paz de dias melhores
Eu digo morras poder maldito
Com os seus exércitos de algozes
E eu vivo pelo que acredito
Acabar com o querer, tu não podes.
Danton Medrado
Dores Íntimas
Esta angústia que me atormenta e fere
Estoura-me a cabeça há pelo menos 30 anos.
Já tomei muitas centenas de analgésicos,
Nada, entretanto, alivia-me a dor.
Bebo regularmente doses excessivas de álcool,
O alívio é, deveras, muito passageiro.
Estupefacientes nunca me satisfizeram.
Até religião já cheguei a consumir.
A dor, todavia, é deveras muito intensa.
Este mundo é muito pequeno para mim.
Não me refiro, naturalmente, à sua extensão geográfica.
O espaço é grande, a vida é que é pequena.
As paredes da vida moderna apertam-me o cérebro.
Vivo uma claustrofobia noturna.
Diante de meus olhos, só a pequenez do cotidiano.
Ao meu lado, pessoas que se desmancham em vermes.
Ouvi dizer que existe um mundo de alegria,
Duvido sinceramente disto. Nunca ri de verdade.
Como se pode rir? Tudo é tão falso, tudo é tão ilusório.
Também não posso chorar, pois só fui educado a sofrer.
Isto é que é o "natural".
Cada um com sua dor, sua angústia, sua miséria existencial.
Para mim tudo é demasiado vazio,
ou elimino as causas de minhas dores, ou elimino-me junto com elas!!!
Lucas Maia
Estoura-me a cabeça há pelo menos 30 anos.
Já tomei muitas centenas de analgésicos,
Nada, entretanto, alivia-me a dor.
Bebo regularmente doses excessivas de álcool,
O alívio é, deveras, muito passageiro.
Estupefacientes nunca me satisfizeram.
Até religião já cheguei a consumir.
A dor, todavia, é deveras muito intensa.
Este mundo é muito pequeno para mim.
Não me refiro, naturalmente, à sua extensão geográfica.
O espaço é grande, a vida é que é pequena.
As paredes da vida moderna apertam-me o cérebro.
Vivo uma claustrofobia noturna.
Diante de meus olhos, só a pequenez do cotidiano.
Ao meu lado, pessoas que se desmancham em vermes.
Ouvi dizer que existe um mundo de alegria,
Duvido sinceramente disto. Nunca ri de verdade.
Como se pode rir? Tudo é tão falso, tudo é tão ilusório.
Também não posso chorar, pois só fui educado a sofrer.
Isto é que é o "natural".
Cada um com sua dor, sua angústia, sua miséria existencial.
Para mim tudo é demasiado vazio,
ou elimino as causas de minhas dores, ou elimino-me junto com elas!!!
Lucas Maia
Anacionalista
Pensando mais a fundo...
Nem fronteiras, nem nações!
Fronteiras são prisões,
Somos cidadãos do mundo.
Nem fronteiras, nem nações!
Fronteiras são prisões,
Somos cidadãos do mundo.
Aurélio
O Cavador
| Cavador - Van Gogh |
a terra que não é tua !
Enriquece o teu senhor,
revestindo a terra nua
de sementeira sem flor.
Todo o sangue que hás perdido,
Sangue rubro como a aurora,
Vira nelas resurjido...
Quem sabe se, a esta hora,
havera na tua casa
um pão na arca e a uma brasa
na lareira triste e fria ?
Mas que importa uma agonia,
uma lágrima, uma dor,
de gente faminta e nua ?
Cava, cava, cavador,
a terra que não é tua !
Luiz Cebola
La Cancion de los Parias
Somos los pobres, los harapientos,
Los que tenemos que trabajar,
Bajas las frentes, mudas las bocas,
Eternamente sin descansar.
Envilecidos y maltratados
y sin derechos para implorar;
siempre sufrimos nuestras pobrezas,
Siempre aplacamos nuestro llorar.
Todos los ricos ven nuestras penas,
Todos contemplan sin compasión
Nuestros dolores, nuestras desgracias,
Sin que se ablande su corazón.
Ya no debemos sufrir más tiempo
Ni los rigores ni la opresión;
Todos activos lanzar debemos
Gritos viriles de rebelión.
Y en otros días que contemplemos
El triunfo justo de nuestro plan,
No aguantaremos esclavitudes
Ni sostendremos al holgazán
Todos seremos libres y hermanos,
Todos tendremos el mismo afán,
En constituirnos fuertes e iguales,
Sin fraile, rico ni capitán.
Manoel González Prada 1909
Imagem: Operários de minas de carvão do início do século XX, EUA- http://progressiveeradotcom.wordpress.com/category/labor-coal-mining/mother-jones/childrens-march/
Los que tenemos que trabajar,
Bajas las frentes, mudas las bocas,
Eternamente sin descansar.
Envilecidos y maltratados
y sin derechos para implorar;
siempre sufrimos nuestras pobrezas,
Siempre aplacamos nuestro llorar.
Todos los ricos ven nuestras penas,
Todos contemplan sin compasión
Nuestros dolores, nuestras desgracias,
Sin que se ablande su corazón.
Ya no debemos sufrir más tiempo
Ni los rigores ni la opresión;
Todos activos lanzar debemos
Gritos viriles de rebelión.
Y en otros días que contemplemos
El triunfo justo de nuestro plan,
No aguantaremos esclavitudes
Ni sostendremos al holgazán
Todos seremos libres y hermanos,
Todos tendremos el mismo afán,
En constituirnos fuertes e iguales,
Sin fraile, rico ni capitán.
Manoel González Prada 1909
Imagem: Operários de minas de carvão do início do século XX, EUA- http://progressiveeradotcom.wordpress.com/category/labor-coal-mining/mother-jones/childrens-march/
Cidadãos “respeitáveis”
O burguês e o político são venerados
até mesmo por alguns
que são por esses explorados.
Privilégios e poder ao paspalho!
E todo esforço nessa vida será falho
Os que com seu trabalho
geram toda riqueza
colherão penúria, pobreza
e de brinde mais opressão de sobremesa.
Aurélio
13 de Junho 2012
até mesmo por alguns
que são por esses explorados.
Privilégios e poder ao paspalho!
E todo esforço nessa vida será falho
Os que com seu trabalho
geram toda riqueza
colherão penúria, pobreza
e de brinde mais opressão de sobremesa.
Aurélio
13 de Junho 2012
Estória
Nossa como somos importantes
Ao menos na história recente
Saímos às ruas com faixas e bandeiras
E depomos mais um@ president@
Precisamos de poderes exteriores
E da figura de um@ dirigente
Se ele não faz ou cumpre o que promete
Tiramos ele de lá, pois o povo ainda é resistente
O tempo passa e a vida não muda
Ess@ que entrou mente e entra na nossa mente
Aumenta nossa exploração, alienação e opressão
Dizendo que o crescimento do país, da região e do continente
É o que dá pra fazer no momento, pois isso é bom pra gente
Na fábrica, na loja, no escritório
Enfim, na labuta e no batente
Começamos a perceber que não adianta
Apenas tirar mais um@ pra luta seguir em frente
Chegamos à conclusão que ninguém mais vai nos dizer
O que só a gente tem de fazer
Ocupar fábricas, terras, saquear mercados e parar a produção
Não só nos dias de protesto contra quaisquer president@s, dirigentes ou senhor@s!
Rubens Vinícius, 24/12/12.
Ao menos na história recente
Saímos às ruas com faixas e bandeiras
E depomos mais um@ president@
Precisamos de poderes exteriores
E da figura de um@ dirigente
Se ele não faz ou cumpre o que promete
Tiramos ele de lá, pois o povo ainda é resistente
O tempo passa e a vida não muda
Ess@ que entrou mente e entra na nossa mente
Aumenta nossa exploração, alienação e opressão
Dizendo que o crescimento do país, da região e do continente
É o que dá pra fazer no momento, pois isso é bom pra gente
Na fábrica, na loja, no escritório
Enfim, na labuta e no batente
Começamos a perceber que não adianta
Apenas tirar mais um@ pra luta seguir em frente
Chegamos à conclusão que ninguém mais vai nos dizer
O que só a gente tem de fazer
Ocupar fábricas, terras, saquear mercados e parar a produção
Não só nos dias de protesto contra quaisquer president@s, dirigentes ou senhor@s!
Rubens Vinícius, 24/12/12.
Traidores Bolcheviques
Quanta enganação...
Malditos bolcheviques!
Quando correm águas de revolução...
O que eles fazem nessa situação?
Barram seu caminho pondo diques!
Quando falamos revolução
Falamos de toda a sociedade
organizada em autogestão
Quando eles falam revolução
É um engodo na verdade
Para outra forma de opressão
Nós queremos transformação imediata
Com eles não temos nada em comum
Eles propagam um conto de fadas
Buscando enganar mais algum
É o conto da etapa de transição necessária
Que é uma transição de fachada
Que transita do nada para lugar nenhum
Quando a luta popular abre alas
Quando os trabalhadores ardem como brasas
Quando o povo se revolta e cria asas
Os porcos logo querem por as patas
Para fazer a contra-revolução
E estabelecer nova dominação
A dominação dos burocratas
Só o povo a revolução garante
Autogestão é caminhar adiante
Seguir um Lênin é estar perdido
"A revolução não é tarefa do partido!"
A traição e a decepção aguarda
A todo que acredita na vanguarda
Ela fala em ganho mas só traz perda
O bolchevismo é o ópio da esquerda!
Transformação ?
É acabar com os exploradores
E com a possibilidade de novos senhores
Combater a corja dos notórios traidores
Pois a revolução dos trabalhadores
Só há de ser obra dos próprios trabalhadores!
Luiz Aurélio
Novembro 2011
A Justiça
Ouves! Retumba a torva tempestade
Que pavorosa envolve a humanidade,
No turbilhão, perene dessa vida,
Que a casta não a vê já dissolvida.
Cultos, deuses, senhores poderosos,
Erguem-se insustantes, vis, jocosos,
Defronte à torpe massa que desfila,
Sob uma carga enorme, que aniquila...
E que alguém erga a voz debilitada,
Que diga que quer pão, que quer abrigo,
Como na esquina o trôpego mendigo!...
Que invoque a lei sagrada, ou a justiça,
Que num leito de vil ouro se espreguiça:
Caprichosa Cruel Ensanguentada!...
José de Barros
"Publicado no Jornal "A Revolta", Santos, 01/05/1914"
No Silêncio das Selvas....
Na negra solidão deste degredo infindo,
Neste recanto agreste onde a malária impera
Numa angústia ferina e atroz que desespera,
A vida pouco a pouco se vai, além, sumindo.
Em meio da mata brava a Razão prolifera,
Medra se concretiza e, alegre, vai florindo.
O vergel do futuro, esperançoso e lindo
C'os frutos da Verdade acena a quem espera.
Bondoso, e revoltado, o coração ferido
Prosseguirei na luta heróico e destemido
Bradando altivamente: - Abaixo a tirania!
Além já a divisa o Sol da Redenção
Que um passo marcará na humana Evolução,
É o sol da liberdade, a sublime Anarquia!
Domingos Braz
"(Campo de Concentração do Oiapoque-Clevelândia, 1925). Reproduzido em A Plebe, São Paulo, 12-2-1927" Edgar Rodriges
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